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HOTEL RIO VERDE – UMA HISTÓRIA DE SUCESSO 
 
 
 


O HOTEL RIO VERDE 

       A história do Hotel Rio Verde, localizado na estância hidromineral de Pocinhos de Rio Verde, bucolicamente às margens do discreto Rio Verde, no Planalto da Pedra Branca, no Município de Caldas, ao sul do Estado de Minas Gerais, confunde-se de certa maneira com a história da família Tambasco, pioneira no desenvolvimento da hotelaria de Pocinhos do Rio Verde. 

        Para tanto, convém dizer que tudo começou com um imigrante italiano da cidade de Salerno, província de Roca Gloriosa, região ao Sul da Itália: Nicola Domenico Paolo Tambasco. Recém chegado ao Brasil foi trabalhar na agricultura em Santa Cruz das Palmeiras, município no interior de São Paulo e, para diferenciar-se de seus irmãos, também imigrantes italianos, insere o sobrenome Glória a seus descendentes, uma melíflua homenagem do imigrante a sua província natal, a suas raízes italianas, uma vez que o sobrenome Glória adveio de Gloriosa, de Roca Gloriosa. 

        Nicola Tambasco também tinha conhecimentos de farmacologia advindos de livros publicados pelo médico botânico sueco André Régnel, o mais ilustre divulgador e precursor de pesquisas científicas acerca dos poderes terapêuticos das águas térmicas minerais e sulforosas de Pocinhos do Rio Verde, potencial este, aliás, ainda não totalmente estudado e ecologicamente explorado. 

        Posteriormente, não se sabe quando, Nicola Tambasco sofreu de problemas intestinais e veio a Pocinhos, provavelmente por volta da década de 80 do século XIX, onde fez um poço para tomar banho e uma rudimentar bica para conservar e colher água, além é claro, do uso oral freqüente das águas termais. Habitualmente utilizando esse singelo método, sua doença foi sanada. A partir de então começa a história da família Tambasco e por força disso a da hotelaria em Pocinhos do Rio Verde. 

         Isso porque, profundamente sensibilizado pela sua cura, Nicola Tambasco instala-se aqui, ocasião em que conhecendo fazendeiros que moravam do outro lado do Rio Verde, contrai matrimônio com a filha de um deles, Maria Alexandrina, a Dona Nicota e tem 02 (dois) filhos, Antônio Tambasco Glória e Maria Tambasco Glória. Em 1886 funda o primeiro hotel de Pocinhos, o Grande Hotel, até hoje em atividade. Nicola Tambasco falece e a viúva casa-se novamente e funda o Hotel Pontes, atualmente em tristes e anticulturais ruínas. Paralelamente ao crescimento de Pocinhos, o Grande Hotel, já com outros proprietários, instala um cassino. Este negócio despontado em 1638 na Europa, principalmente na cidade portuária de Veneza, cresceu no Brasil, em cidades como Petrópolis, Rio de Janeiro, Poços de Caldas e Caldas, em Pocinhos, movimentando vultosas quantias de dinheiro e constituindo-se em fator primordial para o crescimento do turismo local. Figuras importantes à época no cenário político nacional desfilavam no eixo Poços-Pocinhos do Rio Verde. Histórias e fotos de autoridades ainda existem em muitos acervos fotográficos de famílias tradicionais da cidade de Caldas. 

        Nesse ínterim, nova contribuição da família Tambasco. Os irmãos Tambasco, uma então empresa familiar, constituída por Geraldo Tambasco, Nicolau Tambasco (criador da atual Pousada e Chácara Tambasco) e Lázaro Tambasco (criador do antigo Hotel Santa Rita, atual Montanhês) doam parte de suas terras para criação do Balneário de Pocinhos. 

        Esse local, onde se encontram as fontes de águas térmicas minerais e sulforosas para tratamento de diversas doenças ligadas ao aparelho digestivo, bem como de enfermidades epidérmicas, foi fundado por Reinaldo de Oliveira Pimenta, admirável médico, cidadão e grande amante das milagrosas nascentes termais.


Já em meados da segunda década do século XX, por volta de 1910, o filho, Antônio Tambasco Glória, edifica próximo às margens do Rio Verde um chalé. Em 1917, nasce seu primeiro filho, Geraldo Tambasco Glória, passando a viver toda sua infância e adolescência neste chalé. Em 1939, Geraldo casa-se com Maria Guilhermina Tambasco, conhecida até hoje carinhosamente como Dona Tilita e um ano mais tarde, portanto em 1940, nasce seu primeiro filho, Tomaz Antônio Tambasco Glória, conhecido carinhosamente como Toninho Tambasco. Nessa década, Geraldo Tambasco constrói, ao lado desse chalé, uma pequena Casa de Tecidos. Numa fatídica noite de 09 de outubro de 1946 seu estabelecimento comercial é furtado, perdendo a totalidade dos pertences ali encontrados. Recebe então, por doação, o chalé do pai, a fim de que este fosse vendido para saldar os prejuízos decorrentes dos compromissos com os fornecedores das mercadorias comercializadas

        Pouco tempo depois conhece João Bonifácio, um grande homem de notável reputação e estima que lhe empresta, em moeda corrente da época, “cinqüenta contos de réis” para recuperar seu negócio. Ressalte-se que, por ironia do destino, essa dívida nunca foi saldada em dinheiro, mas tão somente com afeto, pois, na velhice, João Bonifácio permaneceu à assistência de Geraldo Tambasco e Dona Tilita. 

        Com aquele dinheiro ofertado, Geraldo Tambasco dá início, no local do chalé e da Casa de Tecidos, à edificação de uma Pensão que passa a comportar, num primeiro momento, 04 (quatro) quartos, sala e cozinha. Diga-se, aliás, que a consciência social da família Tambasco sempre esteve nas raízes de quaisquer projetos de crescimento empresarial, como exemplo, destacamos que Dona Tilita utilizava na Pensão uma sala, deste ainda pequeno local de repouso, para lecionar voluntariamente às várias crianças carentes de Pocinhos do Rio Verde. 

        Mais adiante, impulsionado pela esteira da jogatina em Pocinhos do Rio Verde, Geraldo Tambasco aumenta sua então pensão, constrói, modifica instalações e a transforma num pequeno hotel, revestido agora de largas tábuas de madeiras, calafetado com jornal e lavado, periodicamente com soda cáustica. Tamanho era o zelo pela limpeza que muitos curiosos, turistas ou visitantes, eram atraídos pelo interesse em desfrutar minutos ou dias em um ambiente simploriamente limpo. Tudo isto muito rudimentar, mas já começando a caracterizar o estilo do hotel: Simplicidade Natural. 

       Logo após, falece Reinado Pimenta, fundador do Balneário de Pocinhos, assumindo o posto, um novo e recém formado médico de Belo Horizonte, Edson Pascoal. Figura lendária, o Dr. Edson, merece um assunto à parte, merece um livro. Por ora deixa-nos dizer que o Dr. Edson, ao se instalar em Caldas, recebeu de Geraldo Tambasco uma área do Hotel Rio Verde para construção de seu consultório. No período que apaixonadamente trabalhou em Pocinhos, o Dr. Edson em muito contribui para a divulgação das águas termais, e principalmente, de Pocinhos do Rio Verde. 

        Por seu turno o Hotel Rio Verde também cresce. Com muito trabalho e sobretudo honestidade, o casal Geraldo Tambasco e Dona Tilita paulatinamente constroem um patrimônio, ano a ano edificando novos e confortáveis quartos para os padrões hoteleiros de Pocinhos. Conquistam o carinho e admiração de todos hóspedes que aqui vêm e na grande maioria retornam na busca da qualidade de atendimento que os proprietários proporcionavam aos amigos hóspedes.  

      Sim o Hotel Rio Verde já recebeu inúmeras celebridades e autoridades, mas sobretudo, convém dar dimensão a um aspecto, qual seja, a filosofia fielmente seguida por Geraldo Tambasco e transmitida à família, aos herdeiros, a todos funcionários: o hóspede é único, o Hotel Rio Verde é continuidade de sua casa. Aqui você pode sentir-se à vontade com a família Rio Verde, com sua família e com seus amigos. Neste ambiente em que se fazia a ainda faz de nosso carinho a amizade acolhedora e extremamente peculiar do mineiro, histórias familiares tiveram contornos marcantes. Esse peculiar tratamento diferenciado é fator fundamental para a captação e retorno do hóspede ao Hotel Rio Verde. 

       Aquele pensamento não foi à toa. Em 26-03-1982 veio uma justa homenagem a Geraldo Tambasco: condecorado, pelo jornal “O Gladiador”, como melhor hoteleiro no Estado de Minas Gerais. Já esgotado da arte hoteleira, Geraldo Tambasco se afasta diretamente da direção da empresa, deixando-a a cargo, em 1986, de seu filho, o químico e contador Toninho Tambasco, que de imediato, lidera a construção de uma nova ala no hotel, inspirada em visitas turísticas que o pai tinha feito na Europa, mais especificadamente na Ilha de Palma de Mallorca, na Espanha, quando o mesmo tinha realizado cursos de hotelaria pela Escuela de Turismo de Baleares. Dizem as sábias línguas dos empreiteiros e pedreiros que a engenheira apenas deu alguns retoques e assinou a obra, visto que Geraldo Tambasco praticamente planejara tudo.

        O Hotel Rio Verde existe há 54 (cinqüenta e quatro) anos, com marca e patente registradas há mais de 40 (quarenta) anos e sempre administrado pela família. Com excelente localização, no centro da Estância Hidromineral de Pocinhos do Rio Verde, com vista a um dos principais pontos turísticos de Pocinhos, o delicado e sinuoso Morro do Galo, que comporta uma rústica capela, a Santa Terezinha, há também 100 (cem) metros do Balneário Reinaldo de Oliveira Pimenta, a 1 Km das maravilhosas corredeiras das cachoeiras do Rio Soberbo e a 2 Km da Cascata Antônio Monteiro, o Hotel Rio Verde possui atuais 35 (trinta e cinco) apartamentos disponíveis, todos com suíte, televisão a cores e frigobar, em comodidades de quartos duplos, triplos, quádruplos e quíntuplos, com sacada e sem sacada, o hotel tem capacidade operacional de 120 (cento e vinte) hóspedes. Suas dependências têm piscina, sauna, quadra poliesportiva, playground, salão de jogos e estacionamento. 

Na estância hidromineral de Pocinhos do Rio Verde, onde o primeiro passo desta região abençoada em montanhas cobertas de florestas e de campos já foi determinado em alhures de soberania divina, onde esta natureza luxuriante e pródiga, espalhou em cada canto, riachos e rios que sussurram a calma e a tranqüilidade que não existem nas metrópoles, onde o silêncio jocosamente reina e até incomoda os mais desavisados, onde tudo parece despertar em poucas horas, onde o detalhe deve ser atentamente visto e apreciado, delimitado em um paraíso de quietudes formosas e meigas, onde nós, apenas seres humanos, cremos em Deus e somos tomados pela amálgama da vida para adquirir um outro conceito, um outro gozo de simplesmente viver e retomarmos o passo seguinte, o Hotel Rio Verde continua levando o sonho de uma família para outras famílias.     
E por isso daremos realce a um pequeno trecho de uma mensagem, gracejado por uma hóspede, escrito em 17 de agosto de 1984, filha de um ilustre escritor brasileiro:

            “... neste simpático Hotel Rio Verde, neste maravilhoso Pocinhos do Rio Verde, tantas lembranças e belas inspirações, ofereço com grande carinho e enorme admiração, e o abraço ‘rosiano.’ de.”

Vilma Guimarães Rosa